Ainda me lembro da primeira vez que fui a Titânia.
Eu vi muitas nuvens. Nuvens que
pareciam de algodão doce. Algodão doce em francês e barba do papá. A Cecília
diz que por isso não pode comer algodão doce – porque se sente como se
estivesse comendo pelo. Porém, para os marcianos as nuvens são uma delícia. Uma
verdadeira iguaria.
O céu é cor de rosa. Sabe a
sorvete de goiaba com morango. Os marcianos também gostam do céu, mas e algo
que só se pode comer em eventos especiais. Porque o céu tem o seu limite. Se
comermos o céu todos os dias, ele vai desaparecer. Será o fim do mundo.
No entanto, tem sempre quem
venda o céu no mercado negro. E eu tinha cara de estrangeiro. De turista. Por
isso, Flignarg veio ter comigo a propor vender um pedacinho de céu.
Naquela época eu não sabia por
que motivo era ilegal comer o céu. Pensava que era só por uma questão de saúde
publica, não porque podia vir aí o fim do mundo. Então experimentei.
O céu pode ser comido frito ou
cozido ou assado no forno. Mas a melhor maneira de o comer ainda é cru.
Flignarg levou-me na sua lancha voadora chamada "Salsicha do Ar" ate
uma zona escondida do céu de Titânia e aí ele lançou a sua rede eletromagnética
varias vezes. Falhou tanto que eu pensei que não conseguiríamos colher um pedaço
de céu. Finalmente, depois de duas horas, vencemos! Conseguimos um pedaço do
tamanho da minha cabeça.
Então eu e Flignarg dividimos
esse pedaço. E ele não cobrou nada porque ele ficaria rico vendendo a sua
parte.
Flignarg ensinou-me a fazer um
batido de céu com leite. Ele recomendou não por açúcar nem mel, porque o céu já
é naturalmente muito doce.
Como era uma ocasião especial,
(…)
E também não sabia que se eu
comesse céu, ficaria viciado.